Suspeitos de matar cão Orelha tentaram afogar outro cachorro, diz polícia

Investigação Apura Envolvimento de Adolescentes em Maus-Tratos a Animais em Santa Catarina

A Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) investiga um caso de grande repercussão envolvendo adolescentes suspeitos de praticar maus-tratos contra animais no litoral do estado. O episódio ganhou notoriedade após a morte de um cão comunitário conhecido como “Orelha”, mas as apurações avançaram e revelaram a existência de um segundo caso igualmente grave, envolvendo uma tentativa de afogamento de um cachorro de pelagem caramelo. As ocorrências provocaram forte comoção social e reacenderam o debate sobre violência juvenil e proteção animal.

Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil, um grupo de adolescentes é apontado como suspeito tanto da agressão que levou à morte do cão “Orelha” quanto da tentativa de afogamento do segundo animal. As investigações indicam que os episódios ocorreram em momentos distintos, mas envolveriam os mesmos indivíduos, o que reforçou a necessidade de uma apuração mais aprofundada por parte das autoridades.

Tentativa de Afogamento de Cão Amplia Gravidade do Caso

De acordo com o que foi apurado até o momento, o cachorro caramelo teria sido levado até o mar por um dos adolescentes investigados. Testemunhos apontam que o jovem entrou na água com o animal no colo, levantando a suspeita de que a intenção seria afogá-lo. No entanto, o cão conseguiu se desvencilhar e escapar, deixando o local e evitando um desfecho ainda mais trágico.

O relato desse segundo episódio aumentou a gravidade do caso e chamou a atenção da polícia para um possível padrão de comportamento violento. Para os investigadores, a repetição de condutas desse tipo sugere que os atos não foram isolados, o que exige uma resposta mais rigorosa do sistema de Justiça e das autoridades responsáveis pela proteção de crianças, adolescentes e animais.

Diante das denúncias recebidas, a Polícia Civil realizou, no dia 26 de junho, uma operação para avançar nas investigações. Foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos suspeitos. A ação teve como objetivo coletar provas, aparelhos eletrônicos e outros elementos que possam ajudar a esclarecer a dinâmica dos fatos e a participação de cada envolvido.

Polícia Investiga Coação de Testemunha e Aguarda Desdobramentos

O delegado Ulisses Gabriel, responsável pelo caso, informou que um dos mandados de busca também teve como alvo um homem suspeito de ter coagido uma testemunha durante o andamento das investigações. Segundo a Polícia Civil, qualquer tentativa de interferir no trabalho policial é tratada com extrema seriedade, pois pode comprometer a coleta de provas e a responsabilização dos envolvidos.

Ainda conforme a PCSC, dois dos adolescentes investigados foram diretamente alcançados pelas medidas judiciais. Outros dois, porém, encontram-se nos Estados Unidos, em uma viagem que, de acordo com as informações preliminares, já estava programada antes da repercussão do caso. A polícia acompanha a situação e avalia os próximos passos assim que os jovens retornarem ao país.

As investigações tiveram início após uma denúncia que alertou as autoridades sobre maus-tratos praticados contra um cachorro comunitário bastante conhecido na região. O animal, chamado “Orelha”, foi encontrado gravemente ferido e, devido à gravidade das lesões, precisou ser submetido à eutanásia. O caso causou indignação entre moradores, protetores de animais e organizações ligadas à causa animal.

Para a Polícia Civil, o episódio evidencia a importância das denúncias feitas pela população. A colaboração da comunidade foi fundamental para que o caso viesse à tona e pudesse ser investigado com maior profundidade. As autoridades reforçam que situações de maus-tratos devem ser comunicadas imediatamente, permitindo uma atuação mais rápida e eficaz.

O caso segue em investigação, e a polícia aguarda a análise completa do material apreendido durante as buscas. Os envolvidos poderão responder por atos infracionais análogos ao crime de maus-tratos a animais, conforme previsto na legislação brasileira. Dependendo do avanço das apurações, outras medidas judiciais não estão descartadas.

Enquanto isso, o episódio reacende discussões sobre a necessidade de ações educativas, acompanhamento familiar e políticas públicas voltadas à prevenção da violência entre jovens. Especialistas apontam que casos como este não devem ser tratados apenas sob o aspecto criminal, mas também social e psicológico, buscando evitar que comportamentos violentos se repitam.

A Polícia Civil reforça que as investigações continuam em andamento e que novas informações poderão ser divulgadas conforme o caso evoluir. A expectativa é de que o inquérito traga esclarecimentos completos sobre as responsabilidades e circunstâncias dos atos praticados.

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